Proposta Curricular

O curso de Mestrado Profissional em Educação (MPED), do Programa de Pós-Graduação em Currículo, Linguagens e Inovações Pedagógicas (PPGCLIP) tem duração de dois anos e segue as propostas formativas efetivadas pela FACED-UFBA através do Programa de Formação Continuada, realizado em parceria com municípios do interior baiano. Tais propostas foram instituídas experimentalmente e imprimiram uma marca de ousadia nos seus desenhos curriculares que ressoaram na proposta curricular deste Programa.
 
O conceito de Currículo adotado pelo curso parte de um movimento contemporâneo que, negando, entre outras coisas, o termo grade curricular, cria um deslocamento de centralidade, ou seja, o que era um conceito tradicionalmente centrado em documentos/textos, passa a ser um conceito centrado nos acontecimentos, contingências e emergências do cotidiano, ou seja, no pensarfazerviver o currículo das instituições educativas, apontando, assim, para a necessidade de disputas discursivas que demarcam a diversidade e deixam emergir as singularidades. O trabalho pedagógico é alicerçado no campo das possibilidades pensadas como o desencadeador intencional do campo das atualizações, o que propicia uma construção curricular mais em processo e menos como um modelo a ser aplicado.
 
Desse modo, os componentes curriculares não são pré-definidos em sua integralidade, ou seja, contrariando os pressupostos disciplinares que, na maioria das vezes, indicam disciplinas com proposições previamente definidas, neste desenho curricular, os componentes são de diversas naturezas a fim de contemplar as ideias contemporâneas que enfatizam as linguagens como fundantes nos processos de aprendizagem, assim como a multiplicidade dos modos de aprender.
 
Compreende-se que o conhecimento para ser consolidado não precisa estar totalmente atrelado a presença - presencial e/ou virtual - constante de um professor, dessa maneira, os mestrandos têm autonomia orientada nos estudos e desenvolvimento de suas pesquisas. Por essa lógica, se estabelece uma esfera de colaboratividade que pode/deve ocorrer a partir de intercâmbios entre corpo docente/discente, corpo discente/discente e corpo discente/elementos externos. Para propiciar, efetivamente, a esfera de colaboratividade indicada, o desenho curricular tem uma forte base tecnológica, entendida para além da dimensão instrumental, que se estabelece através de um ambiente virtual de aprendizagem, no qual todas as informações/produções de conhecimento circulam. Tal ambiente disponibiliza fóruns de discussão, chats, blogs, espaços específicos para cada componente curricular e informações diversas.
 
Os componentes curriculares estão distribuídos em ciclos que correspondem cronologicamente aos semestres letivos. A pertinência da utilização do termo ciclo pode ser explicada, por ser este termo - diferentemente do linearmente cronológico semestre - de caráter não sequencial. A ideia de ciclo, tempo cíclico, possui concomitantemente, um caráter de finitude - os ciclos têm um começo e um fim - e de infinitude - a repetição do ciclo nunca se realiza da mesma maneira, apesar das intensas relações com o ciclo anterior, tendo como esteio os componentes curriculares. 
 
A proposta curricular do PPGCLIP-MPED possui uma dinâmica prevista em dois movimentos que podem ser visualizados no diagrama, a seguir: 
 
 
Tal diagramação demonstra a dinâmica curricular do PPGCLIP, assim prevista: 
 
MOVIMENTO 1 - Adentrando no conhecimento socialmente produzido - é a dimensão teórica, composta pelos componentes curriculares denominados Blocos Temáticos, agrupados pela área de concentração e alinhados com as linhas de pesquisa do programa. São quatro, os blocos temáticos: 
  •  Educação e Currículo ao longo da história; 
  •  Educação e prática pedagógica; 
  •  Educação e linguagens; 
  •  Educações e contextos instituídos e instituintes. 
Cada um dos blocos temáticos possui um ou mais docentes responsáveis pela sua organização didática e é estruturado em três atividades curriculares, a saber:
  • Grupos de Estudos Acadêmicos (GEAC): o(s) docente(s) do bloco temático, em cada um dos ciclos sonda(m) as demandas, problemáticas e necessidades investigativas da turma e/ou de cada mestrando e apresenta material selecionado sobre as mesmas, induzindo problematizações como estímulo para os estudos e indicando referências para tal. Todos os participantes se debruçam sobre o material para construírem uma produção textual, socializada no ambiente virtual, embasada na prática escolar, nas referências teóricas indicadas e nos interesses de investigação. Os encontros para estudos e produções são semanais.
  • Cursos: são realizados paralelamente aos GEAC para aprofundar a discussão temática de cada bloco e possibilitar uma maior articulação entre a temática do componente curricular e as temáticas investigativas dos mestrandos. Podem ocorrer uma ou duas vezes por ciclo. 
  • Palestra: esta atividade fecha os estudos de cada Bloco Temático e é ministrada pelo(s) docente(s) que organiza(m) a atividade a partir dos resultados obtidos nos diversos estudos do bloco. Ocorre uma vez por ciclo. 
A fim de integralização curricular os mestrandos devem se inscrever nos Blocos Temáticos, a cada ciclo, seguindo a disposição:
 
Ciclo 1: inscrição em, no mínimo, dois Blocos Temáticos.
Ciclo 2: inscrição em, no mínimo, um Bloco Temático.
Ciclo 3: inscrição em, no mínimo, um Bloco Temático.
 
Ao fim do curso, o mestrando deve integralizar 4 (quatro) Blocos Temáticos, distintos ou não. 
 
MOVIMENTO 2 - Adentrando nos meandros das redes de ensino – dimensão prática que objetiva possibilitar de um real envolvimento do curso com as práticas concretas. É realizado através do componente curricular Oficina. São quatro, as oficinas: 
  • Descobrindo a rede: busca descobrir os meandros da rede de ensino e delimitar interesses, a partir de visitas a estes espaços. Desenvolve estudos de metodologia da pesquisa em Educação, com enfoque interventivo.
  • Compreendendo espaços específicos da rede: aprofunda no conhecimento das realidades da rede, a fim de alargar a compreensão do mestrando sobre a mesma, contribuindo com a ampliação da participação do cotidiano destes espaços e com a definição do foco da pesquisa.
  • Pensando seu espaço de investigação da rede: nesta Oficina o mestrando é levado a repensar a problemática de investigação, vivenciando o cotidiano do espaço escolhido para conduzir o aprimoramento de sua investigação. É quando é realizada a sessão de qualificação dos textos propositivos, os quais apresentam a problemática em estudo, o referencial teórico-metodológico, os procedimentos da investigação e um esboço das propostas de intervenção na rede.
  • Escrevendo o seu espaço de investigação da rede: esta oficia contribui com o aprimoramento da proposta de intervenção para a rede de ensino e é ligada ao momento da defesa final do Trabalho de Conclusão de Curso.
As oficinas são, assim, constituídas: saídas a campo, socialização dos achados em campo, estudos teóricos. As discussões teóricas deste componente são voltadas para a metodologia visando, qualificar as idas a campo. A cada ciclo é ofertada uma Oficina com inscrição obrigatória.
 
Os dois movimentos ocorrem alinhados com mais duas atividades curriculares obrigatórias. Os seminários e a produção e defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). 
 
Os Seminários, ocorridos a cada ciclo, objetivam avaliar os trabalhos realizados, socializar as problemáticas de investigação e viabilizar novas demandas. O seminário do Ciclo QUATRO é destinado às defesas dos Trabalhos de Conclusão de Curso. É obrigatória a inscrição do mestrando em todos os Seminários. 
 
O Trabalho de Conclusão do Curso é pensado desde o processo seletivo, sendo aprofundado a cada ciclo. Pode abarcar as seguintes modalidades: projetos de inovação pedagógica; projetos técnicos e tecnológicos de intervenção nas escolas; desenvolvimento de materiais didáticos pedagógicos; proposta de intervenção em procedimentos de gestão e de coordenação ou de serviços permanentes que interferem na prática educativa. Para a análise, avaliação e aprovação do TCC o mesmo é submetido a uma banca avaliadora constituída por, no mínimo, três membros doutores. Os TCC devem ser defendidos ao final de 24 meses de curso. 
 
Vale apontar que os movimentos curriculares acontecem simultaneamente em cada ciclo, com exceção do último, o Ciclo Quatro, quando é oferecido apenas o movimento dois. São movimentos interdependentes e a intenção da simultaneidade é possibilitar, desde o início, conexão direta do curso com as pesquisas dos mestrandos. No quarto e último ciclo, apesar do não oferecimento dos componentes curriculares do movimento um, a interdependência é mantida, pois apesar da inscrição apenas em componente do movimento prático, a Oficina “Escrevendo seu espaço de investigação na rede”, ela é destinada à elaboração do trabalho final do curso e, desse modo, os mestrandos dedicam-se necessariamente aos conteúdos do movimento teórico dos ciclos anteriores.